Novo Ano, Novo Ser
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Publicado: 15/01/2018
Novo Ano, Novo Ser

Termina o primeiro período de aulas e já existe sinais de exaustão. Termina também um ano civil e os sinais são mais notórios. Inicia-se o ano 2018 e o 2º período de aulas.

Passaram as festividades natalícias e de prosperidade. Iniciam-se novas rotinas. Criaram-se listas de objetivos e procura-se alinhar o coração com o pensamento, perseguindo esses objetivos. Os adultos que mantêm o mesmo ritmo acelerado e as crianças que os seguem sem saber exatamente para onde estão a ser guiadas. Aprendem pelo exemplo, ficam condicionadas pela repetição de comportamentos e depois? Depois nem se apercebem de onde surgiram as suas crenças.

As crianças querem brincar. As crianças querem ser cuidadas e sentir-se protegidas. As crianças querem crescer felizes. E os adultos tudo fazem (quero eu acreditar) para que assim aconteça. Porém, as crianças não nascem formatadas para autodesenvolver todas as competências necessárias ao crescimento saudável e feliz. Por isso precisam, necessariamente, do cuidador. Este cuidador deve, então, estar preparado para grandes desafios, pois muitas vezes os “pedidos de ajuda” estão encobertos em pequenos sinais que podem não ser vistos aos olhos dos mais distraídos.

Por exemplo, a ansiedade é um estado físico que deriva de uma emoção negativa, tal como o medo. Mas a ansiedade contem vários sinais sejam eles a fadiga, insónia, sensação de falta de ar, picadas nas mãos e nos pés, estados de confusão, instabilidade ou sensação de desmaio, dores no peito e palpitações, afrontamentos, arrepios, suores, mãos húmidas, boca seca, contrações ou tremores incontroláveis, tensão muscular, necessidade urgente de defecar ou urinar, sensação de ter um "nó" na garganta, dificuldades em relaxar, dificuldades em dormir (diferente de insónia), tonturas, vómitos incontroláveis ou sensação de impotência.

Estes são sintomas que, quando se encontram em simultâneo (não necessariamente todos) durante um determinado período temporal, revelam que algo não está bem. E se a criança não se souber expressar? E se a forma camuflada com que a criança pede ajuda for “baixo rendimento escolar”? E a ansiedade veio, nesse caso, devido ao medo do quê? Medo da separação dos pais? Medo do escuro? Medo dos colegas mais crescidos da escola? Medo de não corresponder às expetativas do adulto? Medo porque viu os cuidadores assutados?

Não se iluda com o que aparenta ser, procure ajuda do especialista para que em conjunto (criança, pais/cuidadores, escola/professor(a) e terapeuta/psicólogo) se possam encontrar as melhores estratégias de intervenção, para que a criança cresça saudável e feliz, cuidada e protegida.

A ansiedade, a insegurança, a culpa, o medo, são “predadores” subtis que aparecem nas nossas vidas e se apoderam delas quase sem darmos conta, entrando numa espiral de autorrecriminação e comportamentos ansiosos, quase que “hipotecando” a nossa vida, o nosso bem-estar, com medo de avançar, de pedir ajuda, de nos libertarmos de algo que nos prendeu devagar e tornou-se demasiado pesado.

A sociedade atual já nos vai incentivando a desenvolver estratégias para encontrar o equilíbrio entre o corpo e a mente. Dar o primeiro passo para atuar torna-se imprescindível para quem procura “sair” deste estado quase “hipnótico” em que se encontra, condicionado por “pseudo-amarras”, transmitindo-o a quem os rodeia.

Permanecer ligado a coisas, sentimentos, imagens, sensações que não nos pertencem, limita-nos e impede-nos de experienciarmos novas coisas, novos sentimentos, novas sensações. Limita-nos ao querer sair e perseguir os objetivos que estabelecemos para este novo ano. Limita o desenvolvimento pessoal, o equilíbrio interior e até, nos intoxica.

Se a criança vive rodeada de adultos infelizes, as suas aprendizagens estão condicionadas pela tristeza e infelicidade, “boicotando” possíveis vivências felizes e plenas de alegria. Então, qual é o compromisso que assume hoje para atuar agora? Qual a sua prioridade? Qual o primeiro passo na persecução de um Ser ainda melhor, ainda mais feliz? Exemplo de libertação e amor.

Marisa Romero

Psicologia Clínica

Neuropsicóloga Escolar

Hipnoterapeuta

 

Revista Saude Actual de Janeiro/Fevereiro 2018