Depressão – “Quando chove cá dentro”
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Publicado: 28/02/2016
Depressão – “Quando chove cá dentro”

A doença que tantos ignoram ou procuram tratar como se de uma alergia se tratasse, não é só tristeza, fraqueza, apertos no peito ou insónias.  É doença mental que se metastiza tal como o cancro. É uma doença grave que nos conduz numa morte lenta e sofrida.  Ainda existe o tabu de assumir que precisamos de ajuda. Sabemos que a depressão não é algo que se cure apenas e só com o “cocktail de químicos”. As doenças mentais são muito mais do que um órgão físico mal tratado, muito mais do que “dores na alma” e chorar é apenas mais uma forma de “lavar a alma” como tantas e tantas vezes oiço dizer. A depressão é uma doença que se torna incapacitante e que acarreta danos e consequências para quem a sente e vive, e para quem vive com quem a sente. A vida orienta-nos para padrões de atuação onde existem  estereótipos de seres perfeitos quase que androides fortes e superadores de desafios diários sempre com sucesso, não suscetíveis de “cair” perante os obstáculos.  O outro, que se cruza com o utente com depressão diz palavras vãs como “força”, “coragem” ou simplesmente “precisas de férias”. A depressão leva ao suicídio. Depressão não é sinónimo de fraqueza. O estigma de que “ a depressão é para quem não tem o que fazer” é errado, pois muitas vezes a depressão é identificada quando supostamente já temos tudo o que conseguimos conquistar. Tudo o que desejámos e, mesmo assim, continuam sem nos sentir preenchidos ou realizados. Continuamos sem sentir aquilo a que chamo “aliveness”. Tendemos a nos isolar e o isolamento agride, ainda mais o sentido deprimido. A medicação ajuda nas questões químicas mencionadas anteriormente, e a psicoterapia apoia na resolução das questões internas que levaram à perda do já retratado “aliveness”. Tantos são os sinais de alerta (perda de apetite ou apetite exagerado de forma súbita, abuso de substâncias não indicadas, alterações repentinas de humor, dificuldade em estar em locais movimentados ou com muito ruído, alteração no sono, apertos no peito, falta de desejo sexual, pensamentos de morte, entre outros). Procure ajuda. Não seja mais um elemento para a estatística e recupere a sua vida. Sinta-se vivo(a) novamente e não ceda à tentação de “acabar com tudo”, pois tudo continua e esse sofrimento será o sofrimento do outro que acabou também por perde-lo(a).

Marisa Romero