A verdade escondida
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Publicado: 25/05/2016
A verdade escondida

As crianças querem brincar. As crianças querem ser cuidadas e sentir-se protegidas. As crianças querem crescer felizes. E os adultos tudo fazem (quero eu acreditar) para que assim aconteça. Porém, as crianças não nascem formatadas para auto-desenvolver todas as competências necessárias ao crescimento saudável e feliz. Por isso precisam, necessariamente, do cuidador. Este cuidador deve, então, estar preparado para grandes desafios, pois muitas vezes os “pedidos de ajuda” estão encobertos em pequenos sinais que podem não ser vistos aos olhos dos mais distraídos.

Por exemplo, a ansiedade é um estado físico que deriva de uma emoção negativa, tal como o medo. Mas a ansiedade contem vários sinais sejam eles a fadiga, insónia, sensação de falta de ar, picadas nas mãos e nos pés, estados de confusão, instabilidade ou sensação de desmaio, dores no peito e palpitações, afrontamentos, arrepios, suores, mãos húmidas, boca seca, contrações ou tremores incontroláveis, tensão muscular, necessidade urgente de defecar ou urinar, sensação de ter um "nó" na garganta, dificuldades em relaxar, dificuldades em dormir (diferente de insónia), tonturas, vómitos incontroláveis ou sensação de impotência. Estes são sintomas que, quando se encontram em simultâneo (não necessariamente todos) durante um determinado período temporal, revelam que algo não está bem. E se a criança não se souber expressar? E se a forma camuflada com que a criança pede ajuda for “baixo rendimento escolar”? E a ansiedade veio, nesse caso, devido ao medo do quê? Medo da separação dos pais? Medo do escuro? Medo dos colegas mais crescidos da escola? Medo de não corresponder às expetativas do adulto?

Existe também o caso flagrante da criança que não consegue ter sucesso escolar. Que tem resultados inferiores ao esperado e por isso fica em risco de ficar retido naquele ano escolar. Esta criança, que pode ser conotada como preguiçosa, ou como muito distraída, que pode ser olhada como pouco inteligente, pode estar a passar por um grande conflito familiar que lhe causa períodos de abstração da realidade na maior parte do tempo, dentro de sala de aula. Ou vejamos o caso do menino que destabiliza a sala de aula, comprometendo as suas aprendizagens, através do não controlo da sua impulsividade. Esta criança pode não ter qualquer perturbação das suas funções executivas, mas sim estar a lidar com situações de abandono ou abuso.

Não se iluda com o que aparenta ser, procure ajuda do especialista para que em conjunto (criança, pais/cuidadores, escola e psicólogo) se possam encontrar as melhores estratégias de intervenção, para que a criança cresça saudável e feliz, cuidada e protegida.

Marisa Romero