Quem te ampara ?
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Publicado: 13/04/2016
Quem te ampara ?

Já " se lia aquando do acidente do Ayrton Senna que “somos insignificantes, por mais que programe a sua vida, a qualquer momento, tudo pode mudar” (1994). Na altura eu era adolescente e já me identificava com tal testemunho. Hoje, testemunho com muitas e muitas histórias, minhas e dos outros que é tão assim. Talvez por isso mesmo tenha desenvolvido muitas estratégias para ir dançando entre as gotas da chuva, onde posso sorrir e chorar sem que seja percebida. Sim, os psicólogos também choram. Sim, em qualquer profissão continuamos seres humanos.

Porém, ouvi há uns dias, palavras de uma grande amiga, daquelas que descobrimos ao acaso e que ficam para sempre por serem seres muito especiais: “tu intimidas. Essa muralha que aparentas ser, serve de porto de abrigo para os outros que não são capazes de a suster quando ela ameaça ruir”.

Estas palavras fizeram um eco tremendo no vazio que sentia outrora após a “ressaca” de tantas perdas físicas e emocionais que fui “colecionando”.

Como fizeram eco em mim, poderão fazer eco em si. Qual o fardo que carrega e qual a sua disponibilidade para pedir ajuda? E quando pede ajuda, quantos são os que verdadeiramente lá estão, em silêncio ou falantes? Todos temos uma história para contar, com muitas coisas boas e outras menos boas, que nos acompanhará e faz de nós aquilo que somos no hoje e no agora. Alguns saberão continuar a movimentar-se entre as gotas da chuva ou entre o vento e o sol, outros precisam, efetivamente, de um suporte que algo ou alguém que os faça mover.

A forma como olhamos para as circunstâncias fará toda a diferença e estou certa de que somos nós quem escolhe a forma de atuar perante as mesmas. Mas estou certa também de que o meio que nos envolve, assim como os recursos que temos, nos condicionam o bastante para tomarmos uma decisão em detrimento de outra.

Façamos uma reflexão diária sobre o dia que vivemos e procuremos atuar no amanhã melhor do que hoje. Tentemos superar os nossos receios e acreditar no que somos e no que de melhor podemos vir a ser. Ser, é diferente de existir, outrora escrevia eu se o(a) leitor(a) se recorda.

Marisa Romero