A Entrada para o 1º ciclo
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Publicado: 09/05/2016
A Entrada para o 1º ciclo

A propósito da entrada para o 1º ciclo, gostaria de partilhar convosco que me tenho cruzado com muitos pais angustiados e confusos sobre o reter o seu educando/filho(a) mais um ano no ensino pré-escolar ou não. Estes pais, pelo menos, refletem sobre as necessidades dos seus filhos. Um bem hajam!! Tenho-me cruzado também com pais que orgulhosamente partilham que seus filhos entram na escolha primária (1º ciclo) com cinco anos! Que bom! Quando isso não se reflete negativamente no futuro. E, salvo raras exceções, vai refletir-se. O ser humano precisa de tempo para maturar, para crescer e aprender a lidar com tudo o que o rodeia, quer seja a nível biológico, cognitivo ou emocional. Não basta reconhecer todas a s letras e todos os números, ou conseguir juntar sílabas ou fazer operações matemáticas simples. A criança, muitas vezes, fá-lo por repetição e mecanização, e quando tem irmãos mais velhos então, a história repete-se de forma ainda mais consistente, visto serem ainda mais estimulados direta e indiretamente por vários contextos. É preciso brincar e crescer de forma saudável. A criança que entra antecipadamente na “escola dos crescidos”, vai acabar por estagnar. É recomendado que seja feita uma avaliação de maturidade escolar, por técnicos especializados. As crianças que fazem 6 anos depois de 15 de setembro não têm lugar garantido no 1º ano do 1º ciclo. Porém, isto não é necessariamente mau. Muito pelo contrário! Pode ser a chave para o sucesso dos alunos. Em termos emocionais a criança entra no meio escolar com maior maturidade e responsabilidade. As crianças que entram na escola antes dos 6 anos, vão acabar por se ressentir em alguma fase do seu desenvolvimento. Isso é frustrante para a criança, para os professores e acaba por ser para os pais e encarregados de educação. Quando estamos perante crianças que são sinalizadas logo no ensino pré-escolar como sendo mais imaturas ou que trazem consigo algum tipo de dificuldade específica, ai então, nem deve ser equacionada a entrada natural no 1º ano. Existe a angústia associada (dos pais) da criança por esta não acompanhar o seu grupo naquele ano letivo. Mas não será mais angustiante para os pais e encarregados de educação do que para a própria criança? Não estamos a falar de questões pessoais do adulto? A criança tem uma capacidade de resiliência tão mais forte e natural, conseguindo adaptar-se tão bem a novos grupos que brinquem e que o respeitem. Não queiramos enaltecer o nosso ego em detrimento das necessidades específicas da criança.

Marisa Romero